
Sua mãe sempre dizia “Ana, vai fazer alguma exercício físico, senão você vai ficar com uma barriga de cerveja que nem a do seu pai, só que não de cerveja!”. Quando ela soube que abririam uma escolinha de basquete, seu esporte preferido, em sua escola, quase deu um pulo de felicidade. Só não sabia se estava mais feliz por que iria finalmente sair do sedentarismo fazendo uma gosta que gosta, ou porque não iria mais escutar aquelas palavras da mãe.
Chegando lá, ela encontrou meninas que não tinham muito a ver com ela, mas mesmo assim tentou se relacionar. Ela já tinha uma base do esporte, mas aquelas meninas definitivamente jogavam muito melhor do que ela. Não demorou muito para elas jogarem perfeitamente bem enquanto Ana ainda trancava no básico. Animada, tentando evoluir, ela perguntava ao professor como estava indo, e ele lhe dizia “Você tem que melhorar sua direita”. Era exatamente o que ela tentava fazer arduamente em cada aula, mesmo sem saber direito o que aquilo significava.
Quando estava perto de desistir, decidiu dar uma virada. Ela chamaria algumas pessoas que jogam razoavelmente bem o esporte, que gostam dele mas que não têm dinheiro para pagar uma escolinha. Estava tudo planejado, ela treinaria com seu grupo, para poder jogar de verdade na escolinha. O tempo passou e ela foi melhorando cada vez mais.
Quando finalmente chegou o dia do campeonato, quando finalmente aconteceu o grande jogo, ela simplesmente não jogou! Não por causa dela, mas sim por causa das outras, que simplesmente não lhe passavam a bola, nunca! Por não estar jogando, o professor a deixou na reserva o resto do jogo. Quando ela foi conversar com ele o sobre o que havia acontecido, ele lhe disse que ela deveria interagir mais com as meninas e que realmente precisava melhorar sua direita.
Indignada com toda aquela injustiça, ela já não queria mais jogar bem, ela queria ser a melhor de todas, pois quando chegasse o próximo jogo ela jogaria sozinha e sozinha mostraria que direita ou esquerda nenhuma a impediria de ganhar! Treinando agora todos os dias ela ultrapassou todos de seu grupo e também todas da escolinha, se tornara a melhor de todas. No campeonato seguinte, ela jogou maravlhosamente bem, ultrapassou todas e ficou com toda a glória da vitória.
Quando foi conversar com o professor, toda animada, percebeu que ele mal reparara nela e que, além de tudo continuava agradando as patricinhas que jogavam mais-ou-menos.
- Então professor, o que achou do jogo?
- Foi uma ótima vitória, o time realmente jogou muito bem!
- E quanto a mim professor?
- Oi? Ah, você, me desculpe, como é mesmo o seu nome?
- Ana, professor.
- Aé! Ana, me desculpe é que eu estou sempre atento aos nomes das garotas mais velhas.
- Sem problemas.
- Bem, Ana, você jogou bem, mas ainda precisa muito melhorar sua direita. Quem sabe se você colocasse um short mais curtinho, uma blusa mais fresquinha, iria ajudar nos movimentos!



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