
A praia estava já vazia naquele final de tarde e ele começou a preparar suas coisas para partir. Parou em um cantinho e, de lá, viu uma mulher sozinha, que lhe pareceu muito refinada. Como ele não é de perder nenhuma oportunidade, tratou de arrumar seu potinho bem ajeitado e foi em sua direção. Quem sabe, se ela fosse mesmo tão solitária quanto parecia precisasse de um churros quentinho e extremamente doce para, momentaneamente, fazer com que passasse sua solidão. Quantos casos desses ele já havia visto..
De longe ela já sentiu aquele cheirinho. Como pode? A praia estava toda vazia, porque então o rapaz do churros vinha em sua direção? Será que ele almejava realizar, através dela, sua última investida e chegar em casa com R$2 a mais no bolso? Mas o que a deixou muito impressionada foi o cheiro. Hummm, como cheirava bem, como brilhava, como era atraente aquele churros recheado de um delicioso doce de leite cremoso. Hummm, que vontade que lhe deu de comer. Mas como, se ela nem sequer gosta de churros? O dia todo passaram por ela homens vendendo churros e até de longe ela dizia que não, já para eles não se darem ao trabalho de irem até ela e logo irem embora com um não estampado da testa. Mas porque aquele era diferente? Porque seu estômago não lhe deixava dizer não? De tão intrigada que ficou, decidiu perguntar.
- Boa tarde senhora, gostaria de um churros?
- Sim, sim. Eu quero um. Aliás, vou levar mais de um, acho que vou levar uns três (disse ela, pensando na noite solitária que iria pasar...). Mas antes, se o senhor não se importa, gostaria que me respondesse uma coisa.
- Sim senhora.
- O que tem seu churros de tão diferente que faz com que todos, inclusive eu, que nem gosto de churros, o queiram mais que tudo?
- Hehehe, tanta gente vem me dizer isso.. Bem, minha mulher acorda três horas da manhã pra começar a preparar o churros e lá pelas 7 eu já to saindo pra vender. Tudo é feito de muita boa vontade. Mesmo sendo mais caro o doce de leite, a gente compra, porque sabe que churros com doce de leite barato não vale a pena. A gente tenta mudar aquela imagem de que churros de praia é ruim, de má qualidade, sujo de areia. A gente faz tudo no maior capricho e, principalmente, com muito amor e carinho. Porque se a gente não gosta do que faz, quem vai gostar não é?
(continua no próx post)
Logo que ela deu a idéia ao vendendor de churros ele ficou meio assustado, mas foi se acostumando e um tempo depois já estava falando normalmente, como se estivesse negociando. Foi quando ela se surpreendeu, viu que ele tinha mesmo jeito pro negócio e que estava fazendo algo que compensaria depois. “Bom, tenho que falar com minha mulher, explicar, perguntar a opinião dela, sabe como é” ele disse. No dia seguinte estava tudo combinado, ela compraria uma barraquinha e conseguiria autorização para eles venderem churros no meio da praça. Durante os seis primeiros meses os lucros seriam dividos 50/50 e, caso desse certo, eles poderiam ficar com seu dinheiro e ela usaria para investir em algo maior.
Passaram-se seis meses, e mais seis, e mais seis.. Quanto mais clientes eles ganhavam, mais conhecidos ficavam, e, assim, mais clientes ganhavam. Todo mundo já conhecia o “Churros da Dona Rosa”, pessoas vinham de outros bairros só para ir lá comer o famoso churros. “Está na hora de investir mais” ela pensou. Comprou um salão comercial e fez um reforma. Idéias e mais idéias lhe surgiam na cabeça. Porque deixar a Dona Rosa sofrer sozinha, comprou duas máquinas automáticas. Porque não inovar, colocar novos recheios, misturas. Fez um corredor com tudo quanto é tipo de bobagens que se possa imaginar para rechear. Churros de massa de baunilha, de morango, de chocolate, por que não? Abrir mais lojas em outros bairros para atingir outros públicos, por que não? Fazer churros congelado pra vender no mercado, criar um doce de leite personalizado. Mini churros, super churros, churros salgado, por que não? Exportar churros, porque não? Tudo era possível com a fortuna que eles estavam ganhando.
O negócio cresceu tanto, que o homem do churros estava tão rico que foi investindo em outros negócios, e no fim, virou dono de uma grande multinacional. Ela, a empresária, mais que triplicou o dinheiro que já tinha, já não precisava mais trabalhar. A empresa havia crescido tanto que haviam vários sócios, vários empresários, ela já nem fazia mais parte daquilo, ela só ganhava o dinheiro. Chegou o dia que ela disse a si mesma “chega”. “Eu consegui o que eu queria, dinheiro eu não preciso mais. Eu dei uma oportunidade áquele homem, eu gerei emprego para mais da metade da população desse país. Já está na minha hora, não tenho mais razões para continuar fazendo parte disso. Vou parar agora, e tentar encontrar a paz!”
Assim, ela conheceu um homem muito famoso, teve um grande romance e juntou-se a ele para enfim continuar sua jornada de onde havia parado. Juntos, os dois viajavam para todos os cantos do mundo, conhecendo todos os seus mistérios. Um dos mais interessantes que ela encontrou foi no Havaí. Havia uma moça muito bonita que trabalhava de barwoman em um dos milhares de bares que havia lá. Ela se destacava por sua agilidade com as garrafas mas também por seus “toques especiais” nas bebidas. Certo dia, vendo a moça criar uma bebida tão divina quanto o néctar dos deuses, a empresária teve uma sinistra curiosidade e uma idéia que lhe cutucava a cabeça, apesar de ela lhe mandar embora a todo instante. Investir: Porque não?
P.S.: tenho q trocar o template, a imagem não ta aparecendo né??



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